segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Prece Apaixonada

Ver você tão linda, todos os meus dias,
Tão perto, porém tão longe de minh’alma,
Tem o incrível poder de destruir-me a calma,
Em uma triste falta da tua companhia.

E nesta ânsia apaixonada e verdadeira por você,
Sinto-me mentindo ao meu próprio coração,
Que em triste temor, nega-te dizer-te a emoção
Sincera e verdadeira que eu sinto ao te ver.

Por mais que eu fuja tentando me esconder,
E que eu tente negar e afastar o amor... Não consigo.
E este desejo tolo (e apaixonado) de estar contigo,
Isto move e inspira os meus poemas por você...

Por ti escrevo, e com um amor que jamais fenece
Por ti canto, por ti choro, por ti vivo, pois te amo...
Quem sabe um dia ouça Deus os meus reclamos,
E eu tenha então o teu amor; é a minha prece.

(Rafael Buarque Montenegro)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Queridos amigos, trazemos hoje o soneto "O Beijo de Minha Amada", poema presente em meu segundo projeto literário, chamado Versos Perdidos.
Fiquem a vontade para críticas e sugestões. Além do nosso blog, visitem também opequeninopoeta.blogspot.com, e sigam-nos no Twitter: www.twitter.com/rbmontenegro e no Facebok: http://www.facebook.com/profile.php?id=100000755206442
Em breve, visitem também o blog: livroopescador1.blogspot.com
Um forte abraço a todos e boa leitura!

O Beijo de Minha Amada

Como é doce o beijo de minha amada,
Que faz vibrar a mil meu coração.
E faz fremir no âmago minh’alma,
Com essa inexprimível emoção.

Pois na primeira vez que eu a beijei,
Senti parar-me o tempo num momento.
E então vi que todo o meu pensamento,
Seria de uma vez e para sempre dela.

E hoje eu sei que eu a amo tanto,
E nosso amor terá pra sempre o mesmo encanto,
Como na primeira vez que eu a beijei.

E quando sinto o doce beijo de minha amada,
O seu amor me importa antes de mais nada,
E eu sou de uma vez e para sempre dela...

(Rafael Buarque Montenegro)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Distância


Com alguns dias de atraso, estamos retomando as postagens.
Fiquem a vontade para críticas e sugestões.
Um forte abraço e boa leitura

Distância

Ando quilômetros e quilômetros sem fim,
E cada vez mais me distancio de mim.
Estou sumindo de mim e sumindo do mundo,
Estou investigando a escuridão a fundo.

E essa distância que eu percorro em mim,
Sozinho em meio à escuridão sem fim,
Escuro de um blecaute de um milhão de luzes,
Mas na escuridão eu hoje só vi cruzes.

As cruzes são os corpos de tantas pessoas,
Que morreram percorrendo essa distância boa,
E no final do escuro tiveram seu fim.

Andei tantos quilômetros e me afastei de mim,
E hoje eu já não consigo andar essa distância,
E do meu destino escuro já sinto a fragrância.

(Rafael Buarque Montenegro)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Parabéns Meu Brasil!


Queridos amigos, hoje é Sete de Setembro!
Para nós brasileiros, é uma data mais do que especial.
Há exatos 188 anos, o Brasil rompia os laços com a Coroa Portuguesa e se tornava uma nação independente.
E hoje,apesar de todas as dificuldades e mazelas enfrentadas pelo povo brasileiro, não podemos deixar de cantar a beleza brasileira, terra de gente hospitaleira e muito feliz!
Viva o Brasil!


Aquarela do Brasil
Composição: Ary Barroso


Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta denovo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá côco
Oi! Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...

Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor...

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta denovo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Huuum!
Essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá côco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Huuum!
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta denovo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...

Esse coqueiro que dá côco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...

Oi! Essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Soneto da Criança Dormindo

Que cena meiga que os meus olhos vêem,
A linda mãe e em seus braços a criança
Dorme tranqüila em meio a sonho e a esperança,
E em meio à paz que invade os que crêem.

Pequenino infante, que sem medo e sem mácula,
Dorme tranqüilo, se possuir nenhum pensamento.
Mal imagina que chegará este momento,
Em que viverá, sereno como máquina.

Mas não se preocupe com isso, pequenino infante,
Procure apenas a emoção pura do amante,
Que pulsará forte dentro do seu coração.

E se em tua vida hoje reinar o amor,
Estarás prevenido contra a imunda dor,
E poderás dormir tranqüilo em emoção.

(Rafael Buarque Montenegro)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ramón, solamente Ramón


Ramón Sampedro era um espanhol, tetraplégico desde os 26 anos, que solicitou à justiça espanhola o direito de morrer, por não mais suportar viver. Ramón Sampedro permaneceu tetraplégico por 29 anos. A sua luta judicial demorou cinco anos. O direito à eutanásia ativa voluntária não lhe foi concedido, pois a lei espanhola caracterizaria este tipo de ação como homicídio. Com o auxílio de amigos planejou a sua morte de maneira a não incriminar sua família ou seus amigos. Em novembro de 1997, mudou-se de sua cidade, Porto do Son/Galícia-Espanha, para La Coruña, 30 km distante. Tinha a assistência diária de seus amigos, pois não era capaz de realizar qualquer atividade devido a tetraplegia. No dia 15 de janeiro de 1998 foi encontrado morto, de manhã, por uma das amigas que o auxiliava. A necropsia indicou que a sua morte foi causada por ingestão de cianureto. Ele gravou em vídeo os seus últimos minutos de vida. Nesta fita fica evidente que os amigos colaboraram colocando o copo com um canudo ao alcance da sua boca, porém fica igualmente documentado que foi ele quem fez a ação de colocar o canudo na boca e sugar o conteúdo do copo.

A repercussão do caso foi mundial, tendo tido destaque na imprensa como morte assistida.

A amiga de Ramón Sampedro foi incriminada pela polícia como sendo a responsável pelo homicídio. Um movimento internacional de pessoas enviou cartas "confessando o mesmo crime". A justiça, alegando impossibilidade de levantar todas as evidências, acabou arquivando o processo.

A questão do suicídio em pacientes com lesões medulares já foi estudada epidemiologicamente, evidenciando um aumento em relação à população em geral.

Inúmeros outros casos, em diferentes locais do mundo tem trazido este tema à discussão, porém sempre com alguma confusão ou ambigüidade entre os conceitos de suicídio assistido e eutanásia.

Em 2003 foi rodado um filme espanhol sobre este caso, com o diretor espanhol Alejandro Amenábar. O título do filme é Mar Adentro. O diretor caracterizou o seu filme como sendo "una visión de la muerte desde la vida, desde lo cotidiano, lo natural, desde un lado muy luminoso".

Ramón Sampendro escreveu o livro Cartas desde o Inferno, do qual extraímos o poema a seguir.
Boa leitura!

¿Y COMO HABLO DE AMOR SI ESTOY MUERTO?

¿Y como hablo de amor si estoy muerto?
Si los muertos no tenemos pasiones,
Ni de humanos afectos sentimientos
Sólo somos de los vivos el espanto.

Todo es incoherencia y contradicción
Para un muerto entre los mortales.
No lo excitan la luna, ni la flor, ni la hembra,
Porque no tiene carne para reproducirse.

¿Hay cosa más absurda que escuchar a un cadáver
hablar apasionadamente como un humano,
si no puede sentir el calor ni el frío
ni el placer ni el dolor o el llanto?

Es horrible ser un muerto entre los humanos.
Ser el muñeco con quien representan una parodia absurda
Los psicópatas esquizofrénicos vivos
Que disfrutan con la visión de cadáver putrefacto.

Embadurnado de excrementos, babas y locura
Al que con asco y saña, impertinentes, siguen limpiando.
Y pide liberarse, el cadáver, de entre los vivos locos,
Pero éstos no entienden los silencioso gritos de los muertos.

Y con patético ensañamiento lo siguen animando:
Cuenta, muerto, tu historia de lo que estás pasando;
Parece que eres uno de nosotros, los vivos,
Aún aparentas algo de ser humano.

En vano les digo, ¡que no!, ¡que estoy muerto!,
Que ya no puedo hablar igual que ellos
Porque me resulta absurdo hablar igual que los humanos.
Y no me dejan ser ni muerto ni vivo
Estos locos y alucinados desquiciados.

(Ramon Sampedro)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um pouco mais de Manoel


Trazemos hoje um pouquinho mais de Manoel de Barros.

Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho
de "O Guardador de Águas", Ed. Civilização Brasileira.


1
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.

3
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.

7
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem besouros nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.

9
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a
lesma deixa risquinhos líquidos...
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as
palavras
Neste coito com letras!
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre. . .
Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.

11
Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse.

12
Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.

13
Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por
morcegos.
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas
a dentro..
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a
dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos.

(Manoel de Barros)